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Cidadania Regime totalitário

Você sabe o que é fascismo? Entenda o termo

Muitas vezes o termo é usado de maneira inapropriada e muito genérica

11/04/2021 00h18 Atualizada há 3 semanas
Por: Saiba Hoje
O que realmente é o fascismo? Você sabe?
O que realmente é o fascismo? Você sabe?

O consenso acadêmico entre historiadores e cientistas políticos afirma que o fascismo é uma ideologia política radical do espectro político da direita conservadora. Trata-se de um termo que deriva do movimento fascista que surgiu na Itália, no final da década de 1910, e que ficou caracterizado pelo amplo controle do Estado e pelo autoritarismo.

Ultimamente é bastante comum as pessoas utilizarem a expressão “fascista” em manifestações públicas e postagens pessoais na internet. Acontece que, muitas vezes, o termo é usado de maneira inapropriada e muito genérica. Em razão desse uso incorreto feito pelas pessoas, o termo é comumente associado a toda personalidade que possui uma postura autoritária e violenta.

História

O fortalecimento do fascismo italiano, conhecido como fascismo clássico, ocorreu em um cenário de crise econômica, desalento com os resultados da Primeira Guerra Mundial e medo do crescimento do socialismo na Itália. O movimento  tornou-se um regime totalitário que possuía uma política autoritária, nacionalista e antiliberal e foi liderado por Benito Mussolini, chamado pelos seguidores do fascismo de Duce (líder).


O que realmente é o fascismo?

George Orwell, no seu “O que é Fascismo?”, afirma que as definições populares do termo vão de “democracia pura” a “demonismo puro”. Ele mesmo afirma que é uma palavra “quase inteiramente sem sentido”. Isso se deve, principalmente, ao fato de o fascismo não possuir um arcabouço teórico forte, e ter sido determinado, na prática, pelas atitudes de Mussolini. Nas palavras do próprio: “Não temos uma doutrina pronta; nossa doutrina é a ação.”

A fácil adaptação do fascismo a diferentes contextos políticos e sociais e sua capacidade de se apropriar de elementos de outras ideologias tornam esse conceito complexo, mas não impossível de ser explicado. O fascismo enquanto movimento político e social possui uma retórica populista que ataca assuntos como a corrupção da nação, a falência dos valores morais, faz o levantamento de bodes expiatórios etc.

Nesse contexto citado acima, a retórica populista dos fascistas sempre se aproveita de momentos de crise econômica, social e política. O discurso retórico fascista apresenta soluções fáceis para problemas complexos. Quando alcança o poder, o fascismo assume uma postura autoritária, violenta, hierárquica e com foco nas elites. O populismo fascista defende mudanças radicais no status quo (expressão em latim para referir-se ao “estado atual das coisas”) quando se referem ao sistema político, mas nos privilégios de classe o discurso privilegia a manutenção desse status quo

Neofascismo

Recentemente, entre os especialistas que fazem o debate do conceito, surgiu também a expressão “neofascismo”. Esse termo é usado para fazer menção a regimes e movimentos políticos atuais que possuem características que os aproximam do fascismo clássico. Novamente, é impossível fazer uma relação direta entre movimentos políticos atuais e o fascismo, justamente pelo caráter camaleônico desse movimento, que se adapta a diferentes circunstâncias e contextos.

Algumas características podem ser mencionadas em relação ao neofascismo, tais como:

1. Patriotismo exagerado que assume posturas xenófobas e violentas;

2. Desprezo pelos valores da democracia liberal, como as liberdades individuais;

3. Construção de retórica violenta contra supostos “inimigos internos” que contribuem para a “degradação moral” da nação.

Características do fascismo

Para ampliar a compreensão sobre o fascismo e como o conceito é entendido pelos historiadores, é válido organizar algumas das características que explicam em partes o fascismo clássico, ou seja, o fascismo italiano:

1. A defesa de um sistema político baseado no unipartidarismo, no qual o próprio partido fascista é a única força política atuante;

2. Culto ao líder do partido e defesa da ideia de que ele é o único capaz de solucionar os problemas da nação;

3. Controle total do Estado sobre assuntos relativos à economia, política e cultura;

4. Mobilização das massas a partir de retórica populista;

5. Exaltação de valores tradicionais e crítica a tudo taxado como “moderno”;

6. Desprezo pelos valores liberais, como a democracia representativa;

7. Desprezo por valores coletivistas, como o socialismo e o comunismo;

8. Ataque à política tradicional, afirmando que ela não é capaz de solucionar os problemas da nação.

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